<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' version='2.0'><channel><atom:id>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full</atom:id><lastBuildDate>Sat, 09 Sep 2006 21:26:49 +0000</lastBuildDate><title>Microcontos do Carlos</title><description></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos</link><managingEditor>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>15</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112154960290348819</guid><pubDate>Thu, 14 Jul 2005 21:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-09-04T11:03:36.950-03:00</atom:updated><title>301 a 310 (fumo a malabarista)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">301 - fumo&lt;/span>&lt;br />Quando era jovem queimava fumo escondido dos pais. Hoje fuma escondido dos filhos.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">302 - zona&lt;/span>&lt;br />O matuto foi para a cidade grande. Logo procurou a zona. Quando o avisaram que ali era tudo travesti, foi aliviado, sem o receio de encontrar a mãe.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">303 - editorial&lt;/span>&lt;br />Era ele quem escrevia todos os dias o editorial. Não acreditava em nada mas, redator competente, dizia o que queria o dono do jornal.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">304 - barriguinha&lt;/span>&lt;br />Ela adorava andar com a barriguinha de fora, pois atingia dois objetivos de uma só vez: despertava a cobiça dos transeuntes e os ciúmes do namorado.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">305 - pingüim&lt;/span>&lt;br />Lineu era um pingüim atípico, bem friorento. Por isso, trocou seu emprego numa fábrica de geladeiras por outro num sistema operacional.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">306 - virgem&lt;/span>&lt;br />Há muito que Paulinha não era mais virgem. Seus pais achavam que sim, mas os que acompanhavam seu blog na internet sabiam até de todas as minúcias.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">307 - freira&lt;/span>&lt;br />A freira fazia tricô no aeroporto. Depois que passou um belo comissário de bordo, observado pelo canto do olho, ela teve que refazer várias fileiras.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">308 - swing&lt;/span>&lt;br />No clube de casais, o swing rolava solto. A troca nem sempre ocorria, mas a devolução era garantida.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">309 - fantasmas&lt;/span>&lt;br />Na casa assombrada, os fantasmas escondiam-se apavorados toda a vez que os novos moradores ligavam a televisão.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">310 - malabarista&lt;/span>&lt;br />Quando o malabarista chinês fazia acrobacias com seus bastões pegando fogo, desenhava misteriosos ideogramas no ar.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/07/301-310-fumo-malabarista.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112954804534187908</guid><pubDate>Mon, 10 Oct 2005 12:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-19T12:57:18.143-02:00</atom:updated><title>361 a 365 (gude a Hitchcock)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">361 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">- gude&lt;/span>&lt;br />No leito da morte, o ancião relembrava toda a sua vida. Tudo o que desejava agora era ter de volta suas bolinhas de gude.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">362 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">- dupla&lt;/span>&lt;br />Dr. Jekyll e Mr. Hyde formaram uma dupla caipira. Os espetáculos foram um fracasso, pois quando um subia ao palco ninguém achava o outro.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">363 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">- lolita&lt;/span>&lt;br />Lolita era tão terrível na arte da sedução que seu ursinho de pelúcia vivia morto de tesão.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">364 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">- maestrina&lt;/span>&lt;br />Na cozinha as panelas cantam, na sala os estômagos roncam. A maestrina dá os últimos toques nessa sinfonia com o tilintar dos talheres ao pôr a mesa.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">365 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">- hitchcock&lt;/span>&lt;br />Olga gostava tanto de viver com segurança momentos de pavor, que sempre colocava fundos musicais de filmes de Hitchcock ao tomar banho no chuveiro.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/10/361-365-gude-hitchcock.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/111568162571811206</guid><pubDate>Sun, 19 Dec 2004 04:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-18T22:41:58.036-02:00</atom:updated><title>1 a 10 (namorados a mapa)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">001 &lt;/span>&lt;br />Numa praça, dois enamorados olhavam o verde da paisagem na tarde quente. De repente, a noite subiu e eram estrelas seu olhar...&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">002 &lt;/span>&lt;br />O tradutor deixou todos felizes. Mas se soubesse traduzir ambos os idiomas, o mundo teria visto nascer mais uma guerra.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">003 &lt;/span>&lt;br />As duas lágrimas, gêmeas de olhos diferentes, juntaram-se finalmente no queixo, de onde saltaram para o abismo.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">004 &lt;/span>&lt;br />Ele era estúpido e malvado. Foi eleito presidente. No poder, revelou-se muito pior do que o previsto. Foi reeleito!&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">005 &lt;/span>&lt;br />Veio a chuva e a cidade encheu, as ruas e as casas alagaram, os rios subiram e sua popularidade afundou.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">006 &lt;/span>&lt;br />Tocam buzinas. Fumaça na cara. Farol vermelho. Vendedor ambulante. Vidros fechados. Calor. Medo. Sinal verde. Olhada no relógio. Merda!&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">007 &lt;/span>&lt;br />No campo, um casal de garotos brinca. A menina rasga a blusa no arame farpado. Se olham sabendo que as brincadeiras nunca mais serão as mesmas.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">008 &lt;/span>&lt;br />O cachorro levantou a saia da mocinha e o vizinho filmou. Momentos depois, o animal recebeu sua merecida recompensa...&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">009 &lt;/span>&lt;br />Ele viera de outro planeta com uma missão. Mas agora que conhecera o sabor de uma mulher, ser mais um maldito terráqueo era seu único desejo.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">010 &lt;/span>&lt;br />O mapa que herdara assinalava o local do tesouro mas não indicava em que parte do mundo se encontrava. Sem saber, viveu toda a sua vida sobre ele.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2004/12/1-10-namorados-mapa.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112706829727159179</guid><pubDate>Fri, 12 Aug 2005 18:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-18T10:25:57.493-02:00</atom:updated><title>311 a 320 (magrinha a Drácula)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">311 - magrinha&lt;/span>&lt;br />Para ficar bem magrinha, ela vomitava várias vezes ao dia. Quando se suicidou, pulando do vigésimo andar, seu corpo caiu a muitos quarteirões dali.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">312 - aposta&lt;/span>&lt;br />Perdeu o bigode numa aposta. Mais tarde foram-se o carro, a casa, a mulher e os filhos. Hoje é eunuco e parou de arriscar no jogo.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">313 - girafa&lt;/span>&lt;br />Juliana era uma girafa muito vaidosa. Vivia com torcicolos, por tentar se admirar em todos os espelhos que encontrava.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">314 - bingo&lt;/span>&lt;br />Todo o mês, ela perdia metade da aposentadoria na casa de bingo. Afinal, desculpava-se, era o mesmo tanto que seu marido gastava quando vivo no bar.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">315 - revólver&lt;/span>&lt;br />Romeu achava que ter um revólver carregado em casa era garantia de defesa. Mas não pôde defender seus filhos quando pegaram a arma para brincar.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">316 - pecados&lt;/span>&lt;br />Arrependida dos pecados que não cometeu, a velha beata rezava para que no paraíso não fosse tudo igual!&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">317 - nhoque&lt;/span>&lt;br />Com as respectivas dentaduras sobre a mesa, o casal de velhinhos protagonizava um espetáculo obsceno ao comer uma lauta refeição de nhoque ao sugo.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">318 - calcinhas&lt;/span>&lt;br />Quem olhava a vetusta senhora que passeava no shopping jamais suporia que seu discreto sorriso devia-se a estar sem calcinhas sob o vestido.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">319 - aftas&lt;/span>&lt;br />Caprichando com os lábios e a língua, Pedrão aprofundava o beijo na tímida garota, que se contorcia e gemia sem coragem de dizer que estava com aftas.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">320 - Drácula&lt;/span>&lt;br />O conde Drácula era um atencioso anfitrião. Sempre alimentava seus convidados antes de estes lhe servirem de refeição.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/08/311-320-magrinha-drcula.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112744548364695054</guid><pubDate>Thu, 18 Aug 2005 03:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-18T10:18:44.320-02:00</atom:updated><title>321 a 330 (maluco a atitude)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">321 - maluco&lt;/span>&lt;br />Era um cientista maluco, achava que tinha sido ele a inventar a bicicleta, o iogurte e o relógio de cuco.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">322 - Paris&lt;/span>&lt;br />Foi a Paris e subiu na Torre Eiffel para realizar uma velha fantasia, jogar dali um aviãozinho de papel.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">323 - andarilho&lt;/span>&lt;br />O andarilho caminhava sob um sol escaldante. O calor, cada vez maior, dilatava a estrada e dobrava a distância a ser percorrida.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">324 - família&lt;/span>&lt;br />Papai é um assassino e titio ladrão. Mamãe estelionatária e o filhinho um delator. Agora a família está toda reunida na prisão.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">325 - mucama&lt;/span>&lt;br />Anastácia era uma linda mucama. Ia com a senhora às compras, fazia quitutes para as crianças. Mas suas mais belas prendas servia ao senhor na cama.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">326 - auto-ajuda&lt;/span>&lt;br />Em seus livros de auto-ajuda o gordo e triste autor ensinava como emagrecer e ser feliz.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">327 - enforcado&lt;/span>&lt;br />No cadafalso, prestes a ser enforcado, dedicou os últimos instantes de vida a procurar na multidão aquela que seria homenageada com sua última ereção.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">328 - vestidos&lt;/span>&lt;br />Ela colecionava sapatos e vestidos. Mesmo que não mais os usasse, jamais se desfazia deles - ao contrário dos maridos.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">329 - braguilha&lt;/span>&lt;br />Muito circunspectos e profissionais, voltaram do almoço secretária e patrão. Ela toda alinhada, porém ele com a braguilha desabotoada.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">330 - atitude&lt;/span>&lt;br />Um lance, uma parada, aquela mina era toda ligada. Mó legal, chegada nos manos, cheia de atitude, mas quando dizia algo ninguém entendia nada.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/08/321-330-maluco-atitude.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112112969155731384</guid><pubDate>Tue, 12 Jul 2005 00:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-09T22:27:45.060-03:00</atom:updated><title>291 a 300 (falsário a barzinho)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color:#999999;">291 - falsário&lt;/span>&lt;br />Que injustiça! - pensava o falsário, preso com vários documentos de identidade. Fernando Pessoa também tinha heterônimos e nunca fora em cana!&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">292 - contrato&lt;/span>&lt;br />Na hora de assinar o contrato com a casa de espetáculos, o adestrador de pulgas foi muito reticente, recusando-se a colocar os pingos nos is.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">293 - Gestapo&lt;/span>&lt;br />Otto tinha trabalhado na Gestapo. Agora, já bem velhinho, limitava-se a arrancar devagarinho as pernas das moscas que conseguia capturar.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">294 - quentão&lt;/span>&lt;br />Na festa junina beijou todas. No dia seguinte, as fotos estavam na internet. Era o cruzamento do quentão com a tecnologia.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">295 - araponga&lt;/span>&lt;br />O araponga falava latim com fluência. Tinha aprendido a espionar no seminário.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">296 - lacônico&lt;/span>&lt;br />Era um anão lacônico com dotes literários; o máximo que conseguiu escrever até hoje foi um microconto.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">297 - remorso&lt;/span>&lt;br />A cabeça do viado adornava a lareira com seus galhos e um eterno olhar meio acusatório, que trazia algum remorso aos descendentes do caçador.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">298 - preguiçosa&lt;/span>&lt;br />Ela estava tão preguiçosa que, naquele dia, quando o amante a convidou para sair, preferiu traí-lo com o próprio marido.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">299 - bola&lt;/span>&lt;br />Eram onze com camisa e outros onze sem. Todos corriam atrás duma bola já descapotada, único componente do jogo que não gritava ordens ou xingamentos.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">300 - barzinho&lt;/span>&lt;br />O casal encontrou-se no barzinho. Sentaram-se à mesa e cada um atendeu seu celular. Quando ambos desligaram, voltaram a ficar em silêncio.&lt;br />&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#ffffff;">&lt;a style="COLOR: #ffffff" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/07/291-300-falsrio-barzinho.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112744739180531598</guid><pubDate>Sat, 20 Aug 2005 03:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-08T19:00:11.163-03:00</atom:updated><title>331 a 340 (picolé a tempo)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color:#999999;">331 - picolé&lt;/span>&lt;br />Tião vende sorvete e vive rodeado pela meninada. Gosta de oferecer seu picolé é quando algum dos pequenos clientes vem acompanhado da empregada.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">332 – varal&lt;/span>&lt;br />As roupas penduradas no varal ganharam vida durante o vendaval. Pularam para o vizinho. Depois, extenuadas da aventura, descansaram caídas no quintal.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">333 - tribunal&lt;/span>&lt;br />No tribunal, acusado de gerontofagia, assumiu sua culpa; mas, ante a suspeita de pedofilia, declarou-se inocente o lobo mau.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">334 - xadrez&lt;/span>&lt;br />O cavalo comeu a rainha, o bispo foi comido pelo peão. Ao ver tamanha depravação, dona Eulália proibiu o neto de continuar a jogar xadrez.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">335 - quadris&lt;/span>&lt;br />Na varanda da vizinha, as calcinhas postas para secar ao vento agitavam-se como se fossem movidas pelos quadris de sua dona.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">336 - insônia&lt;/span>&lt;br />Latidos ao longe, na madrugada, eram a única companhia que ele tinha naquela noite de insônia, na cama gelada.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">337 - lareira&lt;/span>&lt;br />O crepitar da lenha na lareira não era alto o suficiente para abafar os gemidos e murmúrios dos dois corpos nus que se enroscavam no chão da sala.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">338 - bailarina&lt;/span>&lt;br />Sem ninguém para lhe dar corda, numa eterna pose, a bailarina da caixa de música foi envelhecendo, coberta de pó, num canto esquecido de um armário.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">339 - amanhecer&lt;/span>&lt;br />O galo canta ao amanhecer, avisando o amante da mulher do guarda-noturno que é hora de se vestir e correr.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color:#999999;">340 - tempo&lt;/span>&lt;br />O casal de viajantes do tempo brigou feio. Separaram-se. Ela foi para antes de ele nascer; ele para depois de ela morrer.&lt;br />&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#ffffff;">&lt;a style="COLOR: #ffffff" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/08/331-340-picol-tempo.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112745019763891506</guid><pubDate>Fri, 23 Sep 2005 04:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-08T18:40:31.176-03:00</atom:updated><title>341 a 350 (ombudsman a cafetina)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">341 – ombudsman&lt;/span>&lt;br />Era uma facção tão institucional do crime organizado que criar o cargo de ombudsman pareceu até natural.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">342 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– crueldade&lt;/span>&lt;br />Supremo requinte da crueldade, ela lambia os dedos depois de comer chocolate, saboreando o súbito silêncio dos colegas no escritório.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">343 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– bruxas&lt;/span>&lt;br />Congestionamento de vassouras na convenção das bruxas. Os semáforos, enfeitiçados, piscam em todas as cores.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">344 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– gagarin&lt;/span>&lt;br />Gagarin viu a Terra azul. As guerras a fizeram avermelhada. Com a poluição, está ficando toda cinzenta.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">345 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– compradora&lt;/span>&lt;br />Ela era uma compradora tão compulsiva que até para seus inimigos gostava de adquirir pequenos presentes.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">346 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– hipocondríaco&lt;/span>&lt;br />Antenor era um hipocondríaco de grande erudição. Além dos remédios que tomava, milhares de outras bulas formavam sua ampla coleção.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">347 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– furacão&lt;/span>&lt;br />Um pequeno furacão seguido de uma grande inundação, foi o que bastou para mostrar o terrível país por trás daquela nação.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">348 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– trote&lt;/span>&lt;br />Puxada pelo cachorro, a franzina senhora trotava pelas calçadas do bairro, usando suas poucas forças apenas para se desviar dos transeuntes.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">349 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– saudades&lt;/span>&lt;br />Sempre que um deles viajava, ficavam com tantas saudades que acabavam brigando feio antes do reencontro.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">350 &lt;/span>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">– cafetina&lt;/span>&lt;br />No Congresso Nacional, nenhuma bancada tinha tantos deputados como a agenda daquela cafetina.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/09/341-350-ombudsman-cafetina.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112826109662334728</guid><pubDate>Sun, 02 Oct 2005 13:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-10-08T17:54:32.536-03:00</atom:updated><title>351 a 360 (buzina a caviar)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">351 – buzina&lt;/span>&lt;br />Aqueles dois olhos luminosos, destacados na noite, avançavam em sua direção. Quando o alcançaram, uma buzina foi a última coisa que ouviu.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">352 – sorvete&lt;/span>&lt;br />Manuela chupava o sorvete muito lentamente. Mas quem se derretia eram os olhares que testemunhavam a cena.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">353 – paixão&lt;/span>&lt;br />Ele estudara a Bíblia, o Corão, o Talmude, Confúncio, Buda e Platão. Mas continuava não entendendo bulhufas acerca da paixão.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">354 – livros&lt;/span>&lt;br />Plena madrugada, naquele prédio estava sempre acesa a terceira janela. Um doente terminal vivia com intensidae, lendo todos os livros que ainda podia.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">355 – flores&lt;/span>&lt;br />Flores murchas ornavam as janelas da velhinha meticulosa. Os vizinhos distraídos e a família ausente demoraram meses para achar seu cadáver na sala.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">356 – reeleição&lt;/span>&lt;br />Quando o velho deputado perdeu pela primeira vez uma reeleição, a família agradecida fez uma grande comemoração.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">357 – almofada&lt;/span>&lt;br />Ao sonhar com o namorado, Débora dormia abraçada com a almofada. Ao acordar, ela estava toda molhada.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">358 – suspiros&lt;/span>&lt;br />Tarsila fugia do mundo na biblioteca. Lendo fogosos romances, soltava discretos suspiros, atraindo os sáficos e platônicos olhares da bibliotecária.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">359 – casal&lt;/span>&lt;br />José, Pedro e Maria formavam um casal. Como assim? Simples. Para eles era muito bom e natural.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">360 – caviar&lt;/span>&lt;br />Severino comeu caviar e arrotou. Que saudades da buchada de bode! - suspirou.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/10/351-360-buzina-caviar.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/111608672249752288</guid><pubDate>Wed, 29 Dec 2004 14:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-07-31T15:06:36.196-03:00</atom:updated><title>71 a 80 (retratos a escola)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">071&lt;/span>&lt;br />Os retratos que povoavam sua paredes eram os únicos interlocutores com quem a velha senhora ainda conversava.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">072&lt;/span>&lt;br />O toca-discos arranhava um velho vinil enquanto uma última lágrima sulcava suas faces enrugadas, agora na paz de um sorriso final.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">073&lt;/span>&lt;br />Naquele Natal ele trouxe para casa o filho que havia feito em suas viagens.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">074&lt;/span>&lt;br />Os passos da tropa acompanhavam o ritmo do espoucar dos rojões, anunciando a subida da polícia na favela.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">075&lt;/span>&lt;br />Ela tinha ciúmes de como ele abraçava o violoncelo. Ainda, pelo menos, se fosse outra mulher...&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">076&lt;/span>&lt;br />O vaqueiro aboiava ao entardecer e todo o sertão silenciava para se recolher.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">077&lt;/span>&lt;br />No meio da madrugada, seu desafio, naquela improvisada gincana, era achar chocolate e abacaxi para a grávida que o aguardava em casa.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">078&lt;/span>&lt;br />Na tarde, tão quieta, só se ouvia o tique-taque do relógio e uma mosca tentando sair pelo vidro da janela.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">079&lt;/span>&lt;br />Tiros, explosões, membros decepados e muito sangue, era a grande novidade do mais recente seriado americano na TV.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">080&lt;/span>&lt;br />Ela ia mal na escola, mas seus Sims, no computador, eram os melhores alunos e só tiravam notas altas.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2004/12/71-80-retratos-escola.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/111767450066670179</guid><pubDate>Thu, 02 Jun 2005 01:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-07-31T14:57:49.916-03:00</atom:updated><title>171 a 180 (Rambo a rei)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">171&lt;/span>&lt;br />Ele sentia-se um Rambo na selva. Impiedoso, o velhinho com o mata-moscas continuou sua caçada.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">172&lt;/span>&lt;br />O velho marinheiro já estava meio surdo, mas ao encostar a concha no ouvido escutou novamente todos os sons daquele naufrágio.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">173&lt;/span>&lt;br />Ao assistir TV na prisão, o que mai o incomodava era estar preso àquela grade de programação.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">174&lt;/span>&lt;br />Os dois inimigos reencontraram-se após longos anos. Já bem velhos, não conseguiam mais recordar por que se odiavam.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">175&lt;/span>&lt;br />Cada bugiganga a mais que ela comprava, era um orgasmo a menos que deixava de lamentar.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">176&lt;/span>&lt;br />Escorregando pelo corrimão das escadas ou arrastando-se por baixo dos móveis da sala, aquele moleque era mesmo um zero zero sete!&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">177&lt;/span>&lt;br />O orador possuía uma curiosa habilidade: quanto mais falava, menos a platéia entendia o que ele dizia.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">178&lt;/span>&lt;br />Quando a loira da minissaia cruzou as pernas, o taxista não pôde evitar a olhada no retrovisor nem a batida no cruzamento.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">179&lt;/span>&lt;br />O senador discursava inflamado para uma platéia completamente vazia. Mas a câmara da TV estava ligada.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">180&lt;/span>&lt;br />Quando o rei da cocada preta descobriu que ficara diabético, virou republicano. Light.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/06/171-180-rambo-rei.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112041482015437797</guid><pubDate>Sun, 03 Jul 2005 16:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-07-31T14:32:14.946-03:00</atom:updated><title>271 a 280 (suicídio a esquerda)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">271&lt;/span>&lt;br />Sorri, amor - pediu ela. Já arrependido do pacto de suicídio, ele foi incapaz de satisfazer esse seu último desejo.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">272&lt;/span>&lt;br />Doutor Ortega era um homem muito sisudo, jamais sorrira em toda a vida. Ao dar a primeira gargalhada, não parou mais, até ser internado pela família.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">273&lt;/span>&lt;br />Enojado com o que viu, renunciou ao cargo e abandonou a capital federal. Sem olhar para trás, com medo de virar estátua de sal.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">274&lt;/span>&lt;br />Ao ver uma aeromoça, sentia o maior tesão. Até hoje sua mulher não entende por que ele insiste em fazer sexo na poltrona, fingindo estar num avião.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">275&lt;/span>&lt;br />Ela pediu: larga do meu pé! E, ali pendurada, ficou vendo o corpo dele afastar-se, caindo no despenhadeiro.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">276&lt;/span>&lt;br />Tio Nanias era um palhaço. No boteco, os amigos riam com ele. Mas no circo onde trabalhava ninguém achou graça quando ele foi promovido a gerente.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">277&lt;/span>&lt;br />O homem-avestruz era muito recursivo. Ele mesmo criava em sua cabeça os buracos onde a enfiava.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">278&lt;/span>&lt;br />Pegou a mala errada no aeroporto. Apaixonou-se perdidamente pelo perfume das roupas que ali estavam e até hoje tenta achar a quem pertencem.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">279&lt;/span>&lt;br />Ele era tão cheio de minúcias que nem os menos chegados lhe perguntavam mais como estava.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">280&lt;/span>&lt;br />Ele era de esquerda. Era. Agora está no poder. Está.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/07/271-280-suicdio-esquerda.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/111802449739918411</guid><pubDate>Sun, 05 Jun 2005 00:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-07-11T22:03:09.870-03:00</atom:updated><title>191 a 200 (média a laxante)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">191&lt;/span>&lt;br />No emprego o ambiente era estressante; tinha que fazer média o dia todo. Pra compensar, na padaria sempre pedia em copos separados o café e o leite.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">192&lt;/span>&lt;br />Seu Ermelindo roncava tão alto que ele mesmo em seus sonhos não conseguia dormir.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">193&lt;/span>&lt;br />Desde a contratação do novo salva-vidas, aquele rapagão forte, os casos atendimentos de socorro na praia tinham aumentado imensamente.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">194&lt;/span>&lt;br />O pequeno órfão da rua busca a mãe em qualquer um que lhe estenda a mão e procura o pai em todos os que lhe dão o pão.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">195&lt;/span>&lt;br />Noite após noite, ela escapou da decapitação. Mil e uma vezes teceu mundos com sua narração.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">196&lt;/span>&lt;br />Os decapitados andavam sobre as mãos ou arrastavam-se de joelhos. Era um pesadelo sem pés nem cabeça.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">197&lt;/span>&lt;br />Maria Rita arrancou os olhos de sua boneca. No lugar colocou os que tirou do irmão.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">198&lt;/span>&lt;br />Numa tarde sem vento, de onde vinham tantas ondas naquele lago calmo? Um bote com dois namorados fornecia, mudo, todas as respostas.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">199&lt;/span>&lt;br />Arlete esperava o avião. Todos foram pousando, só o de seu namorado não.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(153,153,153)">200&lt;/span>&lt;br />O ministro da economia vivia com prisão de ventre mas recusava-se, por princípio, a tomar laxante.&lt;br />&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="COLOR: rgb(255,255,255)" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/06/191-200-mdia-laxante.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/112048921122997862</guid><pubDate>Mon, 04 Jul 2005 14:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-07-05T11:50:02.736-03:00</atom:updated><title>281 a 290 (moleques a inquisição)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">281&lt;/span>&lt;br />Os moleques jogavam bola no meio da rua. Num passe mais forte, um deles correu para evitar a saída da pelota. Mas não evitou o motorista desatento...&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">282&lt;/span>&lt;br />Ao comer um pé de moleque, quebrou um dente. Devia ter deixado cozinhar por mais tempo, observou seu colega canibal.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">283&lt;/span>&lt;br />Que saudades da ditadura! - lamentava-se o humorista, cada vez mais suplantado pela realidade dos fatos.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">284&lt;/span>&lt;br />Olha só, um CD de antigamente! - exclamou a arqueóloga mirim ao achar um velho LP em vinil na casa do avô.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">285&lt;/span>&lt;br />Horácio era muito pontual. Qualquer atraso, de poucos minutos, para ele era uma ofensa moral.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">286&lt;/span>&lt;br />O número de loucos é infinito. A demência é universal. Eu mesmo não sou muito normal.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">287&lt;/span>&lt;br />Sentados, na calçada em frente de casa, o casal de velhinhos cumprimenta todos na rua, como se passassem dentro de sua sala.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">288&lt;/span>&lt;br />O velho dinossauro trabalhava como fóssil no museu. Achava muito enfadonho não poder se mexer, mas eram os ossos do ofício!&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">289&lt;/span>&lt;br />Nas ruínas da velha casa, muitos anos depois, ela ainda podia ver as manchas de sangue onde fora o quarto dos pais.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">290&lt;/span>&lt;br />Frei Adroaldo trabalha na Santa Inquisição. Arranca unhas com toda a piedade e usa o ferro em brasa com muita devoção.&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/07/281-290-moleques-inquisio.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>http://www.blogger.com/feeds/12776109/posts/full/111729957040310229</guid><pubDate>Sat, 28 May 2005 16:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-07-02T12:09:05.846-03:00</atom:updated><title>161 a 170 (xerox a homem-bomba)</title><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">161&lt;/span>&lt;br />Quando a impediram de xerocar o capítulo de um livro, escaneou a própria bunda e imprimiu-a para toda a faculdade.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">162&lt;/span>&lt;br />Grana, l'argent, bufunfa, money, dinheiro... Na hora de discutir seu quinhão, todos se entendiam em Babel.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">163&lt;/span>&lt;br />Na ditadura Solange trabalhava na censura. Até hoje ela fica molhadinha quando vê uma tarja preta.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">164&lt;/span>&lt;br />Tudo acabou entre eles no dia em que disputaram, pela primeira vez, o controle do controle remoto.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">165&lt;/span>&lt;br />Como o tempo passa depressa! Já se foi mais um século? Perguntou-se Matusalém...&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">166&lt;/span>&lt;br />No dia seguinte à noite de núpcias, ela jurou dedicar o resto de sua vida para destruí-lo aos poucos.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">167&lt;/span>&lt;br />Era uma senhora tão chata que seu maior interlocutor era o espelho e receber spam no e-mail sua maior alegria.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">168&lt;/span>&lt;br />Naquela rua, um novo templo da Igreja Universal. Que pena, era um cinema tão legal...&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">169&lt;/span>&lt;br />Ela tinha três pares de óculos, para ver de perto, ao longe e os de sol. Mas sempre que precisava usar algum era o que havia deixado em casa.&lt;br />&lt;br />&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);">170&lt;/span>&lt;br />No caixa do supermercado, escolheu a maior fila de todas. E o homem-bomba ficou à espera da sua vez...&lt;br />&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:78%;"  >&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" href="http://technorati.com/tag/microcontos" rel="tag">microcontos&lt;/a>Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos&lt;/span>&lt;/div></description><link>http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/2005/05/161-170-xerox-homem-bomba.php</link><author>carlos@seabra.com (Carlos Seabra)</author></item></channel></rss>