Sylvia Plath é

Ariel

Êxtase no escuro,
E um fluir azul sem substância
De penhasco e distâncias.

Leoa de Deus,
Nos tornamos uma,
Eixo de calcanhares e joelhos! O sulco

Fende e passa, irmã do
Arco castanho
Do pescoço que não posso abraçar,

Olhinegra
Bagas cospem escuras
Iscas

Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais

Me arrasta pelos ares
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.

Godiva
Branca, me descasco
Mãos secas, secas asperezas.

E agora
Espumo com o trigo, reflexo de mares.
O grito da criança

Escorre pelo muro
E eu
Sou flecha,

Orvalho que avança,
Suicida, e de uma vez se lança
Contra o olho

Vermelho, fornalha da manhã.

(tradução de Rodrigo G. Lopes e Maurício A. Mendonça)


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